O centenário da pequena notável

A cantora e atriz Carmen Miranda, tida como uma das mais célebres de nossa história, era na realidade portuguesa. Veio para o Brasil em 1909, aos dez meses de idade, e instalou-se com a família no Rio de Janeiro. Seu nome na certidão de nascimento era Maria do Carmo, devido à inclinação religiosa dos pais, mas foi um tio dela que passou a chamá-la de Carmen, em referência à heroína da ópera homônima de Bizet.

O talento vocal herdado da mãe, Olinda, apareceu ainda na adolescência. Aos 20 anos, ela cantou em um festival, e Josué de Barros, compositor e violonista baiano, se interessou por sua performance, pas-sando então a promovê-la em estações de rádio, clubes e gravadoras. Não demorou a gravar um disco, mas foi só com a música Para você gostar de mim, de 1930, que ela estourou.

Carmen adorava os palcos, tinha talento e carisma, e seus shows atraíam pequenas multidões. Mas a “pequena notável” – apelido dado pelo radialista César Ladeira, grande nome da rádio Mayrink Veiga, em referência ao seu um metro e meio de altura –, sonhava com a carreira atriz e em 1933 estreou seu primeiro longa-metragem, A Voz do Carnaval. Ao todo, foram nove filmes brasileiros, até que a sua carreira como cantora começou a deslanchar nos Estados Unidos. Sua estreia americana foi na produção Serenata Tropical, interpretando a si mesma. Dali em diante, não parou mais de produzir – foram 14 produções nos Estados Unidos – até falecer em 1955, aos 46 anos, vítima de um colapso cardíaco.

Sua música até hoje é muito conhecida, e seu estilo extravagante é bastante imitado. Em 2009, ano em que completaria 100 anos, seu nome e obra vêm sendo celebrados.

 
 
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